24 de setembro de 2010

Laços.

Após uma semana cansativa, se jogou na cama e fitou o teto. Cansada, ainda com a água da chuva no corpo. O alívio de estar em casa. Queria parar o mundo, só por uns minutos. As lágrimas eram um misto de alívio e culpa, fez o que devia ser feito.

Ele caminhou pela chuva fina, ouvindo suas músicas e pensando no olhar da garota. Não prestava atenção nos carros da rua, e quase sofreu alguns acidentes no percurso. Sorria, sem entender direito o que acontecia. Não sabia como as coisas se desenrolariam, mas tinha expectativas sobre o futuro.

Dentro do quarto, escutava a água bater na janela. Num ritmo desacelerado, batia o pé no chão. O lápis riscava formas que nada significavam em um panfleto de supermercado. Escrevia sobre sentimentos que há muito não existiam, mas não conseguia se concentrar em nada. Havia dor, angústia, desespero, os pesadelos sobre os quais costumava escrever, mas havia esquecido de como eram horríveis. Coisas que deviam continuar presas em pesadelos. Debruçou sobre a mesa de deixou as lágrimas molharem os textos vazios.

Da sacada, via a chuva molhando os prédios e as ruas. As pessoas que corriam tentando se esconder. Seu moletom velho cheirava a cigarro, sua maquiagem ainda estava na cara. Imaginou por um instante, onde ele estaria. Em quem estava pensando, se deveria desistir de tudo e se jogar em seus braços, sem medo do que poderia dar errado. Acendeu o cigarro e se esqueceu de pensar.

Um comentário:

Trevis disse...

esse é um post estilo Heavy Rain, onde 4 histórias se entrelaçam de forma estranha.