27 de setembro de 2010

Laços.

Seus olhos não conseguiam esconder a dor em seu coração. Mas ali estava ele, se esforçando pra reviver aquela chama que há muito estava se extinguindo. Ela respirou fundo e lhe abraçou com toda a sinceridade que havia em si. "Vai ficar tudo bem, agora."

Alguns muitos quilômetros dali, ele dirigia sem prestar atenção no caminho, as lembranças não lhe permitiam. Há quanto tempo sua vida dependia apenas de escolhas alheias? Chegou ao seu destino.

Ela chorava, abraçada ao travesseiro. Aquele vazio que não sabia explicar, aquele que todos sentem, as vezes. Nem mesmo a porta fechada abafava a voz de sua mãe, reclamando de coisas que nunca fez. Sentia-se cansada... cansada de tudo, cansada da vida. Como queria qualquer coisa diferente. Um ombro, um abraço. O interfone veio tirá-la debaixo das cobertas.

Desceu do carro, sem medo da chuva. Caminhou e digitou os números. Aguardou. A água fria castigava o corpo cansado e com fome. As luzes se acenderam e a menina de olhos cheios d'água atravessou o portão, se jogando em seus braços. "Vai ficar tudo bem, agora."

Nenhum comentário: