Se aproximou da nuca da moça e, muito além do perfume, sentiu o cheiro de cigarro. Envolveu-a com um abraço e disse que precisava ir. "Pode ir... você sempre vai."
Sentiu-se um pouco mal por deixa-lá em frente a sua casa com um beijo morno, mas estava cansado disso. O dia havia amanhecido, e sempre que a alucinação cessava, pensava sobre coisas que não gostaria de ter feito. Aqueles dias em que tudo parecia errado.
Chegou em casa, jogou os tênis pro alto e deitou-se ainda de roupa. Observava o teto. Alguma luz entrava pelas frestas da janela e ele tentava se distrair com os desenhos que se formavam na parede lilás. A consciência pesava.
Estava cansado dessa mania de querer morrer, de se afogar num mar de felicidade momentânea, sem perceber quão perto do fundo do poço já estava. Esperava por algo que pudesse ocupar o espaço que esse mal preenchia.
Dormiu e esqueceu.
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