16 de outubro de 2010

Laços.

Ela desceu do carro sem se despedir. Ele esperou, observando a figura feminina caminhar entre as gotas de chuva e abrir o portão. Nenhuma palavra, mas uma pequena lágrima molhou o lado esquerdo do rosto. Tinha que ser assim.

Enquanto observava sua companheira colocando os objetos na mala, tentava enxugar as olheiras cansadas. Não podia deixar que isso terminasse assim. Ela continuava com o olhar fixo nas coisas que movia de um lugar a outro, cortaria seu coração ve-lo naquele estado. Tinha que ser assim.

Ele dirigiu pela chuva como se não houvesse perigo, cantando músicas do final de semana. Ela observava a água que molhava o vidro do táxi, alheia ao cenário do caminho, pensava se iria se arrepender. Ele se perguntava como ela deveria estar. Mais um pouco e talvez tivessem as respostas.

Ele acariciou todas as lâminas que encontrou no banheiro, sedento para pintar a louça branca com sua tinta vermelha. Ela fumou todos os cigarros que tinha na bolsa, observando a cidade que a sacada tinha pra lhe oferecer. Ele se jogou embaixo da água gelada e aproveitou cada gota fria que castigava seu corpo exausto. Ela contou as estrelas e teve a certeza de que era aquilo que queria.

Os laços estavam desfeitos, todos os nós, desatados.

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