Conversavam sobre a importância de ser criança, mesmo depois de grandes. Não sobre a infantilidade, mas a habilidade de conseguir julgar algumas coisas superficialmente e deixar pra se preocupar de verdade com assuntos mais importantes. Ele pensou em como agiu pra escolher estar ali e se preocupou um pouco. Se preocupou porque estava, novamente, envolvendo alguém que nada tinha a ver com tudo isso, o que fizeram com ele em primeiro lugar. Pensou em como seria seu julgamento em uma situação diferente, se não estivesse com essa pequena ferida em seu coração. Uma ferida no coração é muito parecida com um corte no rosto, um corte que demora pra cicatrizar e acaba doendo quando você sorri, mas a ferida no coração dói quando você tenta gostar de alguém. Aquela dor ainda incomodava o garoto.
Ela acariciava seus cabelos enquanto conversavam, era como se nunca tivesse feito isso antes, gostava do modo como seu cabelo era macio, embora preferisse que ele deixasse aqueles cachos mais curtos. Imaginou um pouco se aquilo era real, ou o que ele pensava nesses momentos, era tudo tão novo pra ela e não sabia ao certo o que deveria fazer.
Ele segurava sua mão e dizia pra relaxar, mas no fundo era ele que precisava ouvir isso de alguém.
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