2 de março de 2011

"Você vai ter que decidir.". Era engraçado ouvir isso, depois de repetir tantas vezes isso pro resto do mundo, afinal, somos sempre responsáveis por nossas decisões, não é? Dessa vez ela conversava comigo com o olhar distante, como se não se importasse mesmo com o que eu faria. De algum jeito, eu sabia que ela se importava. Ela se importava comigo, sempre se importou. Eu sempre me importei com ela, também. Decidir era tão difícil. Estive sempre acostumado a estar perto dela, mesmo não sendo o tipo de pessoa que dependesse de algum tipo de ajuda o tempo todo, ela sempre esteve ali, querendo deixar meu quarto arrumado. Há muito eu mesmo arrumava meu quarto, mas, não sei explicar como, sempre tinha um toque especial, aquele sinal de que ela passou por ali e arrumou algo que eu tinha esquecido. As coisas continuavam a sumir de vez em quando.
Ela sempre esteve ali, mas sempre mantive minhas decisões longe dela. Tinha que ter minha liberdade de escolha, mesmo sabendo que algumas escolhas não cabem a uma só pessoa. As vezes podemos fazer escolhas que interferem nas escolhas dos outros, assim como outras pessoas podem nos magoar com suas escolhas. É estranho, pra mim, estar pela primeira vez conversando desse jeito com alguém que sempre esteve tão perto. A primeira vez em um quarto de vida.

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