Ele era um idiota. Um idiota como qualquer outro. Idiota daqueles que dá conselhos e não consegue segui-los.
Riscou o fósforo e observou a fagulha que deu origem a chama. A chama era de um tom alaranjado, que combinava com os raios de sol que atravessavam algumas das poucas nuvens no céu, marcando o anoitecer de outro dia.
Não percebeu e a chama queimou-lhe a ponta dos dedos. "Preciso prestar mais atenção nas coisas" resmungou pra si mesmo. Puxou outro fósforo e antes que acendesse pensou no cigarro, na cerveja e no livro plastificado que acabara de comprar. "O jogo do anjo", dizia a capa, através do plástico fino que protegia as páginas de poeira e outras malvadezas que pudessem danificar o conteúdo precioso que elas continham. Pensou em todos os livros usados e cheio de histórias que ele já havia lido (E aqueles que ainda precisava devolver) e viu o quanto havia aprendido com cada um deles. Imaginou o que haveria dentro daquele.
Mordeu a ponta do plástico e desembrulhou o pequeno livro. Hora de começar uma nova história.
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