Sem querer ele abraçou uma onda de nostalgia muito fora do comum. Pensou direito a respeito e viu que não era tão fora do comum assim. Vira e mexe se encontrava revirando caixas com brinquedos, lembranças e cartas. Quantas cartas pedindo desculpas!
Os brinquedos só lembravam coisas boas. Talvez brinquedo fosse pra essas coisas mesmo, pra olhar e lembrar de coisas boas. Principalmente nas marcas e imperfeições. Aquelas cicatrizes de acidentes e ocasiões. É bom ter algumas cicatrizes pra mostrar, talvez.
Mas de volta as cartas de desculpas. Eram cartas de desculpas, mas todas acabavam lembrando de situações ruins e tristes para alguém. Quantas cartas pedindo desculpas! Muita gente devia estar machucada dentro daquela caixa cheia de lembranças. Pensou em todos os pedidos de desculpas que ele já havia feito. Quanta gente já havia machucado! Desejou não ter machucado nenhuma daquelas pessoas. Pediu desculpas.
Então percebeu que pedir desculpas não curava nenhum dos machucados. Nem ajudava a cicatrizar. Isso só o tempo faria. Talvez fosse bom que cada uma dessas pessoas tivesse suas cicatrizes, afinal. Estava feliz com as suas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário