Existe, sim, uma porção de coisas das quais eu tenho medo.
Seus joelhos bateram no chão. Ele ainda tentava se manter equilibrado. Balançava. Sentia-se balançar. Era gosto de sangue em sua boca? Sim, era. "Maldição", pensou.
E talvez a história devesse voltar um pouco. Só pra entender o por que daqueles punhos estarem moendo seus órgãos. As vezes quem bate nem sabe porque está batendo, mas quem apanha sabe o por quê. Nesse caso, nenhum dos dois tinha muita certeza.
O bruta montes havia chego no bar bem antes, umas boas 4 horas antes. O raquítico chegara a pouco, talvez nem cinco minutos. O grandalhão já havia flertado com mais da metade do bar, incluindo alguns homens que ele já tinha confundido. O raquítico havia aparecido para buscar sua ex-quase-noiva, que havia fugido de um jantar romântico há pouco tempo. Talvez devessemos voltar ao jantar antes.
Ela estava preparada para terminar com o relacionamento de 6 meses. Não que houvesse outra pessoa envolvida, só estava cansada daquela história toda. Não era o que queria pra vida. O pobre homem havia preparado surpresas pra noite. Anel e champanhe, no restaurante mais caro da cidade. Na hora da surpresa, ela não soube reagir muito bem. O discurso que ela havia ensaiado envolvia uma porção de mentiras e até revelações de homosexualismo - que não eram inteiramente verdade, embora houvesse uma certa curiosidade. O discurso que ele ensaiou quase não continha mentiras, talvez algumas constatações exageradas e precipitadas. Ele falou primeiro. Ela correu em desespero. Ele correu atrás, mas os seguranças seguraram o rapaz, que ainda precisava pagar a conta.
A moça foi direto para o bar, enquanto ligava para uma amiga, do banco traseiro do táxi. Precisava conversar e pensar a respeito. O rapaz desconfiou dos lugares que poderia encontrar seu romance, mas não acertou de primeira. A moça encontrou a amiga no bar e antes que pudessem tecer uma boa conversa e colocar os fatos na mesa, o bruta montes puxou a amiga para conversar. Quando a moça tentou resgatar a amiga da companhia desagradável do bruta montes, seu ex-quase-noivo entrou pela porta, gritando para que tirasse as mãos de cima de sua amada. Aparentemente aconteceu um soco nesse intervalo entre abrir a porta e conversar.
O bruta montes não deu chance ao pequeno homem de se desculpar ou se defender. E a pobre moça não entendia bem o que acontecia. Muitas informações em pouco tempo. Quando o raquítico caiu de joelhos, já não havia muito o que fazer. Ela estava preocupada, mas não sabia o que fazer. Ele olhou para a moça e disse que sentia muito. Ela se pôs na frente do bruta montes e abraçou seu ex-futuro-noivo.
O bruta montes coçou a cabeça, pegou sua bebida e saiu, se perguntando o que é que tinha acontecido. "Eu nem queria ter pego ela. Que cara maluco."
O pequeno homem ainda sangrava quando perguntou a moça se ela aceitaria casar com ele. Naquele momento de emoção e com uma música imaginária regendo o fim de um filme de romance, ela só podia responder que não. Porque quem é idiota tem mais é que se foder, mesmo.
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